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A informalidade no mercado de trabalho brasileiro, tradicionalmente associada à necessidade de subsistência em momentos de crise econômica e alta taxa de desemprego, tem assumido uma nova configuração. Em um cenário de crescimento econômico e redução dos índices de desocupação, o trabalho informal tem atraído, de forma voluntária, trabalhadores antes inseridos no mercado formal, impactando diretamente na disponibilidade de mão de obra qualificada com carteira assinada.
De acordo com especialistas, esse movimento reflete mudanças estruturais no mercado de trabalho nacional, com destaque para a evolução tecnológica, a maior flexibilidade de horários e a diminuição da diferença de remuneração entre trabalhadores formais e informais. O fenômeno é apontado como um dos fatores que contribuem para a escassez de profissionais em setores que dependem da contratação formal, como construção civil, comércio e serviços essenciais.
Avanço da informalidade por escolha e não mais por necessidade
Dados levantados por Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a informalidade deixou de ser exclusivamente uma saída para enfrentar o desemprego e passou a ser, em muitos casos, uma opção deliberada dos trabalhadores.
Essa tendência tem sido reforçada pelo crescimento de atividades mediadas por plataformas digitais, como transporte por aplicativo e serviços de entrega, que permitem ao trabalhador maior autonomia sobre sua jornada. Ao mesmo tempo, a diferença entre os rendimentos de formais e informais tem diminuído de maneira significativa.
Rendimento dos informais se aproxima dos salários formais
O estudo da FGV mostra que, em 2015, trabalhadores com carteira assinada recebiam, em média, 73% a mais do que os informais. No entanto, ao final de 2024, essa diferença foi reduzida para 31%. Essa redução da disparidade salarial contribui para que trabalhadores vejam na informalidade uma alternativa economicamente viável, com vantagens como a flexibilidade de horário e a possibilidade de múltiplas fontes de renda.
Escolaridade dos informais aumenta mais rapidamente
Outro dado relevante identificado por Tobler é o crescimento do nível de escolaridade entre os trabalhadores informais. Em 2012, apenas 34% dos trabalhadores sem carteira assinada haviam concluído o ensino médio ou tinham ensino superior. Esse percentual saltou para 54% ao final de 2024. No mesmo período, o percentual de trabalhadores formais com esse nível de escolaridade subiu de 61% para 76%, uma variação de 15 pontos percentuais, inferior à observada entre os informais (20 pontos).
Apesar de os trabalhadores com maior qualificação ainda se concentrarem na formalidade, o crescimento do número de informais com maior nível de instrução indica que essa parcela da força de trabalho também tem migrado para formas alternativas de ocupação.
Consequências para o mercado de trabalho formal
A mudança no perfil da informalidade impacta diretamente setores que enfrentam dificuldades na reposição de vagas formais, mesmo em contextos de crescimento econômico. De acordo com o economista Bruno Imaizumi, da consultoria LCA 4intelligence, o alto índice de informalidade no Brasil facilita a rotatividade e mobilidade dos trabalhadores entre ocupações diversas, o que, por sua vez, gera escassez pontual de mão de obra em setores específicos.
Imaizumi destaca que há uma massa significativa de trabalhadores com qualificações genéricas, aptos a transitar entre diferentes atividades econômicas, o que dificulta a fidelização desses profissionais em postos com carteira assinada.
Informalidade ainda é predominante em diversas regiões
Mesmo com avanços no mercado formal, os dados mais recentes do IBGE indicam que a informalidade segue representando uma parcela expressiva da ocupação no país. Em dezembro de 2024, sete das 27 capitais brasileiras registravam mais de 50% da população ocupada inserida no mercado informal. Em nível nacional, a informalidade respondia por 38,6% dos ocupados.
O IBGE classifica como informais os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, empregados domésticos sem registro, autônomos sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) , empregadores sem CNPJ e trabalhadores auxiliares familiares que não recebem remuneração.
Riscos e desafios para o futuro
Apesar da maior atratividade que a informalidade passou a exercer, especialistas alertam para os riscos associados a essa modalidade de trabalho, especialmente no longo prazo. Entre os principais problemas estão a ausência de proteção previdenciária, como aposentadoria, e a falta de garantias trabalhistas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) .
A informalidade, segundo Imaizumi, tende a oferecer rendimentos menos estáveis e sujeitos a maior volatilidade. Ele destaca que, sem contribuição como autônomos ou microempreendedores individuais (MEIs), os trabalhadores informais ficam descobertos no que se refere à seguridade social. Além disso, os empregos formais, embora menos flexíveis, oferecem benefícios como estabilidade, férias remuneradas, 13º salário e acesso ao FGTS.
Perspectivas
A expansão da informalidade como escolha do trabalhador, aliada à digitalização das atividades econômicas e à redução da diferença salarial entre os regimes de contratação, demanda atenção por parte de formuladores de políticas públicas. É necessário repensar modelos de inclusão previdenciária, incentivar a formalização de profissionais autônomos e promover ações que tornem o mercado formal mais competitivo em termos de atratividade.
Além disso, é urgente o desenvolvimento de estratégias voltadas à qualificação profissional, que ampliem as oportunidades de trabalhadores com níveis educacionais diversos, tanto no mercado formal quanto informal, garantindo melhores condições de trabalho e inclusão produtiva de forma sustentável.
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